Sermões

Sermão do IV Domingo depois da PáscoaA importância do estudo para o católico

Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes. (S. Tiago 1, 17) Uma das coisas que os padres devem ensinar aos fiéis nos seus sermões é de que, a todo custo, não se afastem da luz natural da razão. Deus deu ao homem a capacidade de conhecer a verdade, e essa capacidade natural, com a qual todo homem nasce, é chamada de inteligência. Ela tem, em si mesma, naturalmente, a capacidade de conhecer a verdade sobre as coisas, e ela fica incomodada, por assim dizer, quando fica diante de algo incoerente, contraditório, absurdo. Como São João diz no começo do seu Evangelho, Deus ilumina todo homem que vem neste mundo. Ele ilumina todo homem, cada um de nós, de três modos: 1. pela capacidade natural da inteligência de conhecer a verdade, pelo estudo, pela reflexão, pela contemplação; 2. pelas verdades…

Sermão do III Domingo depois da PáscoaA eficácia do bom exemplo

A vontade de Deus é a de que, fazendo o bem, façais calar a ignorância dos homens imprudentes. (1 S. Pedro 2, 15) Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… Hoje a epístola abre uma brecha para considerarmos um pouco o valor e a eficácia do bom exemplo, e entender porque o bom exemplo que damos tem grande peso diante dos outros, e os ajuda muito. No I Domingo depois da Páscoa elogiei o bom exemplo que vocês, mais novos, têm dado. Vale a pena que vocês entendam a importância de dá-lo. A vontade só pode querer o bem que conhecemos. Não é possível querer fazer o bem sem saber que ele existe, que bem é esse, etc. A finalidade de ensinar os outros é a de lhes fazer conhecer o bem, para que eles tenham condições de querer fazê-lo depois. Entretanto,…

Sermão do Domingo do Bom PastorFugir dos Mercenários (II Domingo de Páscoa)

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Hoje é o Domingo do Bom Pastor, festa de 1ª classe para os membros do Instituto do Bom Pastor e neste ano a Santa Sé nos concedeu uma indulgência plenária para quem assistir piedosamente uma liturgia do IBP e, além das condições ordinárias, rezar hoje um Pai Nosso, Ave Maria e Credo, o que faremos após o canto final de Regina Caeli. No Evangelho que lemos, Cristo diferencia o bom pastor do mercenário, pois em certos casos parecem agir de modo igual, mas nos momentos cruciais, vemos quem é de fato bom pastor e quem é mercenário. Quando o lobo ameaça as ovelhas, o bom pastor o enfrenta, enquanto que o mercenário foge. O bom pastor busca as ovelhas que estão fora do rebanho para uní-las de novo sob seu pastoreio. As ovelhas sabem distinguir o bom pastor…

Sermão do I Domingo da PaixãoAmar, para nós, mais as qualidades do que as pessoas que as têm

Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz. Vós não ouvis porque não sois de Deus. (S. João 8, 47) Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… Há um princípio, ensinado por Santo Tomás, de acordo com o qual “tudo o que é recebido, é recebido conforme o modo de quem recebe”. Alguns exemplos irão deixar essa verdade mais clara. Posso despejar água em um balde e também em uma garrafa com o gargalo mais estreito. Ambos, o balde e a garrafa, recebem água. Mas o modo como um balde recebe água não é o mesmo modo como uma garrafa de gargalo mais estreito receberá água. Se, por um lado, posso despejar muita água de uma só vez em um balde, precisarei despejar água, em uma garrafa, com muito mais calma, e pouco a pouco. Uma garrafa não receberá muita…

Sermão do IV Domingo da QuaresmaA acídia

Enchei-vos de alegria por Jerusalém, todos os que por ela se entristeceram. (Isaías 66, 10) Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… Na seqüência das considerações sobre os vícios capitais, falaremos hoje da acídia, porque ela se opõe à alegria que se deve ter na vida católica. Um vício recebe o nome de capital quando outros pecados procedem dele como conseqüências naturais, como se de uma mesma cabeça procedessem muitos membros: “Assim como os homens praticam muitos atos visando o prazer, quer para consegui-lo, quer levados à ação pelo ímpeto do prazer; assim também fazem, por tristeza, muitos atos, quer para evitá-la, quer arrastados a agir pelo peso dela” (Suma Teológica II-II, q. 35, a. 4). A palavra acídia vem do grego. Kedòs significa cuidado. O a no início da palavra tem valor de negação. Literalmente, acídia significa falta de cuidado. Santo Tomás…

Sermão do III Domingo da QuaresmaNão ter medo de fazer boas obras

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. No Evangelho de hoje, vemos Cristo expulsar um demônio e logo em seguida ser atacado pelos fariseus. Cristo faz uma obra boa e, como recompensa, é atacado. Esse é um exemplo claro para não termos medo de fazer boas obras, mesmo quando elas desagradam alguns. É impossível agradar a todos quando fazemos ou falamos algo, pois o mundo é bipartido entre os filhos da Virgem e os filhos da Serpente, ou entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens, na imagem consagrada por Santo Agostinho. Ocorre de querermos ajudar algumas pessoas e essas, ao invés de agradecer, nos atacam de modo violento. As mães entendem muito bem isso. Quando tentam dar um remédio ou vacina a um filho que é criancinha, quantos empurrões e socos não leva em troca! Nem por isso a mãe deve evitar…

Sermão do II Domingo da Quaresma

É esta a vontade de Deus: (…) que vos aparteis da luxúria (…) sem se deixar levar pelas paixões, como os gentios, que não conhecem a Deus. (…)Nessa matéria ninguém fira ou lese a seu irmão, porque de tudo isso se vinga o Senhor, como já vos temos dito e assegurado. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas sim para a santidade. Portanto, quem desprezar estas instruções não despreza um homem, mas Deus, que vos infundiu o seu Espírito Santo. (1 Tess. 4, 1-8) [Imagem: Santo Tomás expulsa, da torre em que estava preso, a moça de má vida] Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… Nesta Quaresma nos parece proveitoso algumas palavras sobre os pecados capitais, suas características, os frutos ruins que produzem em nós, e o modo de combatê-los. E, pelo tema da Epístola e do Evangelho de…

Sermão do I Domingo da Quaresma

Cristo foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo. (São Mateus 4, 1) Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… Partindo do Evangelho de hoje, vendo Cristo ser tentado pelo demônio no deserto, nos pareceu que seria proveitoso aos fiéis uma espécie de exame sobre como trato minhas tentações, como as vejo, como me comporto nelas, aplicável a cada um por meio de um exame pessoal. A tentação de Cristo foi meramente exterior, sem que elas lhe causassem hesitações interiores, e rebelião dos afetos e sentidos contra a inteligência. Mas Cristo quis passar por essas sugestões do demônio, para nos mostrar como devemos agir em nossas tentações. Eis aqui, então, algumas questões que devemos nos colocar a respeito de nossas tentações pessoais: Sonhei com um estado ideal sem tentações neste mundo, constando que eu necessariamente as terei? ― Considero…

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